sexta-feira, 5 de junho de 2020

NOSSAS OLIGARQUIAS FAMILIARES

por Fernando Lomardo, O Apontador


     O Pará tem Barbalho. O Maranhão tem Sarney. Minas Gerais tem Neves. Alagoas tem Calheiros. São Paulo tem Covas. O Rio de Janeiro tem Maia.

     A política brasileira é composta por feudos que se eternizam no poder. O coronelismo supostamente ultrapassado, tão detalhadamente descrito por Jorge Amado e Érico Veríssimo, troca de terno ao longo das décadas e permanece comandando o jogo apodrecido do fatiamento do dinheiro público. Pais elegem seus filhos que reelegem seus filhos que contratam seus filhos que nomeiam seus filhos, e parentes e amigos entram junto de roldão na festa do fisiologismo democrático.

     A foto que ilustra o artigo é emblemática dos conluios entre políticos e famílias poderosas na divisão dos dividendos do parasitismo. Foto do saudoso Jornal do Brasil, janeiro de 2002. O atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, (recentemente mencionado em delação do dono da Gol Linhas Aéreas) em descontraida balada com amigos. Seu pai, César Maia, era na ocasião prefeito do Rio de Janeiro, em seu segundo mandato. Foram três no total, além de Senado, vereança, etc.

     Os amigos de Maia filho: Rick Amaral, filho de Ricardo Amaral, o “rei da noite” (proprietário de boates lendárias, como New York City, Pappagaio’s, Hippopotamus, etc); e Kim Peixoto de Castro. Aqui está uma das chaves do cofre.

     A família Peixoto de Castro foi uma das mais ricas do país, proprietária, entre outras coisas, da Refinaria de Manguinhos. Por algum motivo entrou em processo de recuperação judicial. Um de seus “varões” é investigado na Lavajato. Por esse motivo uma das acionistas do grupo, a Sky Investment, entrou com ação judicial para afastar o patriarca Paulo César do Conselho Administrativo. Outros dois membros da família foram acionados pelas ex-esposas por não pagamento de pensão aos filhos. Tutte buona gente.   

     A inofensiva nota social foi publicada na coluna de Márcia Peltier, que foi casada com Carlos Arthur Nuszman – aquele que foi preso por roubar dinheiro da Olimpíada do Rio, lembram?

     É o círculo infinito de nosso sistema político-empresarial. Grandes políticos são amigos de grandes empresários que são amigos de grandes jornalistas que são amigos de grandes politicos que são amigos...

     Mantendo o movimento do círculo, famílias que se perpetuam ad aeternum. Pai que elege filho que nomeia amigo que contrata outro amigo... e la nave va.

     O Pará tem Barbalho. O Maranhão tem Sarney. Minas Gerais tem Neves. Alagoas tem Calheiros. São Paulo tem Covas. O Rio de Janeiro tem Maia.

     O Brasil inteiro, no momento, tem Bolsonaro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário