por Fernando Lomardo, O Apontador
O Pará tem Barbalho. O Maranhão tem
Sarney. Minas Gerais tem Neves. Alagoas tem Calheiros. São Paulo tem Covas. O
Rio de Janeiro tem Maia.
A política brasileira é composta por
feudos que se eternizam no poder. O coronelismo supostamente ultrapassado, tão
detalhadamente descrito por Jorge Amado e Érico Veríssimo, troca de terno ao
longo das décadas e permanece comandando o jogo apodrecido do fatiamento do
dinheiro público. Pais elegem seus filhos que reelegem seus filhos que
contratam seus filhos que nomeiam seus filhos, e parentes e amigos entram junto
de roldão na festa do fisiologismo democrático.
A foto que ilustra o artigo é emblemática
dos conluios entre políticos e famílias poderosas na divisão dos dividendos do
parasitismo. Foto do saudoso Jornal do Brasil, janeiro de 2002. O atual
presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, (recentemente mencionado em
delação do dono da Gol Linhas Aéreas) em descontraida balada com amigos. Seu
pai, César Maia, era na ocasião prefeito do Rio de Janeiro, em seu segundo
mandato. Foram três no total, além de Senado, vereança, etc.
Os amigos de Maia filho: Rick Amaral,
filho de Ricardo Amaral, o “rei da noite” (proprietário de boates lendárias,
como New York City, Pappagaio’s, Hippopotamus, etc); e Kim Peixoto de Castro.
Aqui está uma das chaves do cofre.
A família Peixoto de Castro foi uma das
mais ricas do país, proprietária, entre outras coisas, da Refinaria de Manguinhos.
Por algum motivo entrou em processo de recuperação judicial. Um de seus
“varões” é investigado na Lavajato. Por esse motivo uma das acionistas do
grupo, a Sky Investment, entrou com ação judicial para afastar o patriarca
Paulo César do Conselho Administrativo. Outros dois membros da família foram
acionados pelas ex-esposas por não pagamento de pensão aos filhos. Tutte buona
gente.
A inofensiva nota social foi publicada na
coluna de Márcia Peltier, que foi casada com Carlos Arthur Nuszman – aquele que
foi preso por roubar dinheiro da Olimpíada do Rio, lembram?
É o círculo infinito de nosso sistema
político-empresarial. Grandes políticos são amigos de grandes empresários que
são amigos de grandes jornalistas que são amigos de grandes politicos que são
amigos...
Mantendo o movimento do círculo, famílias
que se perpetuam ad aeternum. Pai que elege filho que nomeia amigo que contrata
outro amigo... e la nave va.
O Pará tem Barbalho. O Maranhão tem
Sarney. Minas Gerais tem Neves. Alagoas tem Calheiros. São Paulo tem Covas. O
Rio de Janeiro tem Maia.
O Brasil inteiro, no momento, tem
Bolsonaro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário