por Isabella Reinert Thomé
Assisti a um documentário na Globonews
sobre a tragédia de Brumadinho, vista a partir dos bombeiros que trabalharam e
ainda trabalham nos locais afetados.
Foi publicado um livro de dois jornalistas,
Lucas Ragazzi e Murilo Rocha: o livro-reportagem “Brumadinho - a engenharia de
um crime”. Você ouviu falar deste livro? Eu, apenas agora, decorrente dessa
breve pesquisa.
O nosso grau de empatia é extremamente
pequeno, e não me refiro à ajuda material. Refiro-me a responsabilidade como
cidadão. Ao fato de não se relacionar o ocorrido com a ação governamental, fato
ensejado pela escolha de palavras como "acidente",
"tragédia" e similares, quando, sim, trata-se de um crime, como
menciona o título do livro. Um crime cometido por uma empresa, que tem que ser
fiscalizada pelo governo. Mas não só. Existem profissionais que assinaram
projetos e laudos, e estes têm responsabilidade. Vários são os responsáveis que
precisam ser punidos por negligência.
Ou seja, existem culpados e punição para
seus crimes. Além da empresa, o governo que há anos também negligencia a
atividade mineradora. Há anos, porque o famigerado governo do PT, mais “preocupado”
com o ser humano, agiu friamente, e não interditou a atividade da Vale e da Samarco,
no caso de Mariana. Novamente, a Vale em Brumadinho, e a tolerância com o
intolerável. E a constatação de que todas as siglas partidárias envolvidas nos
governos agem com a mesma leniência, o mesmo descaso com o cidadão.
E os cidadãos? Se tiver uma votação
amanhã, as pessoas sairão de suas casas para votar. Sequer pensam em,
simplesmente, criar um precedente, expor a fragilidade de um sistema político
que urge mudar. NADA. E mais uma vez, a famigerada polarização vai se acentuar,
porque o político “justo” acabou de ser libertado e já está pronto para o
palanque de mentiras. O presidente que escolhe os piores nomes para estar à
frente dos ministérios, não mudou a relação com as mineradoras, e embora
signifique um retrocesso geral, a Vale e outras contam com a mesma postura
governamental. Vidas são números. Quando muito, votos.
Na minha conta do Facebook onde este texto
foi inicialmente publicado, apenas tratarei de fatos relacionados ao
meio-ambiente, porque se relacionam com a matéria-prima da Belluga Perfumaria.
Naturalmente que, ao fazer isso, os aspectos políticos existentes em qualquer
situação serão tocados.
Ouvir, ver essas pessoas que lidaram e
lidam com esta dor, lembra-me que a impunidade praticada pelo executivo, pelo judiciário
e pelo legislativo não pode ser naturalizada. Não se pode esquecer, não se pode
deixar de cobrar a punição dos responsáveis.
A falta de memória nos destrói. Portanto,
também por isso, a insistência sobre a empatia que nos fortalece, nos
estrutura. Precisamos não esquecer e cobrar o devido respeito, juntos.