por Fernando Lomardo
É típica da internet a utilização,
equivocada ou mal-intencionada, de palavras de impacto. São palavras usadas a
esmo, sem qualquer noção sobre seu significado, mas que pretendem manifestar
convicção ideológica e, principalmente, agredir. Obviamente o PT, com seus 14
anos no poder, colaborou muito para esse uso inconsistente do vocabulário. Uma
proposta educacional em que “nóis pega o pêxe” é expressão de livro didático,
pretende alcançar em algum prazo a descaracterização do sentido da linguagem,
de forma similar à Novilíngua, do “1984” de Orwell.
Também com a intenção de facilitar o voto
de cabresto, o PT tirou a Educação do campo de jogo e colocou no lugar as
palavras de ordem. “Golpe”, “fraude” e
“fascista” estão entre as preferidas de petistas. São atiradas sobre todos que
entenderam que Lula é culpado (pois não se trata de crença, e sim de cognição),
sobre todos que concluíram, de forma óbvia, seu enquadramento na Ficha Limpa,
ou mesmo contra os que pedem investigação sobre qualquer petista. É justo
investigar Aécio Neves, mas investigar Gleisi Hoffman é fascismo. É lícito
prender Eduardo Cunha, mas prender José Dirceu é a volta da ditadura. E a Lei
da Ficha Limpa não pode valer para Lula, mesmo que fique solto. O que querem,
na verdade, é tirá-lo das eleições.
Vai ser bom para Lula não participar das
eleições. Foi destroçado em 2016. O maior exemplo foi seu poste paulista,
Fernando Haddad, nocauteado por João Dória no primeiro minuto do primeiro
round. Convenhamos que ser humilhado por Dória, nanico em todos os sentidos, é
para fazer o sujeito desistir da vida pública.
Não o PT. Pautado invariavelmente pela
farsa e pela encenação, o partido ignora solenemente os fatos e sai gabando-se
de eterna vitória.
Lula não elegeu ninguém em 2016. Todos os
candidatos em cujo palanque ele subiu não chegaram sequer ao segundo turno. Não
elegeu ninguém nem em São Bernardo, seu berço político. Seu candidato a
prefeito ficou em terceiro lugar, e seu filho (!!!) não obteve nem metade da
votação mínima para vereador. O mesmo se deu pelo Brasil afora, à exceção de
dois ou três vilarejos do Nordeste, onde “nóis pega o bôlça-familha”.
O Datafolha Instituto de Petistas (sic)
coloca Lula em primeiro lugar nas intenções de voto. Mas as manifestações em
sua defesa, nos últimos dias, mostram bem o contrário. Mesmo a militância que
foi ao Sindicato defender seu Capo foi frustrante. Arredondando os números para
facilitar o cálculo: o Brasil tem 100 milhões de eleitores. O maior colégio
eleitoral do país é São Paulo – que é também a sede política de Lula. No
momento em que o líder é preso (preso!), quantos gatos pingados foram lá? Cinco
mil? Dez mil? Que sejam vinte mil. Não é pouco para quem supostamente detém 40
milhões de votos? Não é pouco para alguém sobre quem se dizia que sua prisão
iria “parar o país”?
A prisão de Lula só parou a programação da
TV, que ficou dois dias acompanhando seu circo. Fora isso, o país segue do
mesmo jeito descaralhado de antes. O que deu errado na promessa de tocar fogo
no Brasil?
A presença de Lula nas eleições só
serviria para carimbar sua queda. Pode ser que ainda confirmemos esse fato. A
jogatina institucional do país é tão intensa e tão venal que Lula ainda pode
ser solto e sua ficha suja ser cancelada. Se isso ocorrer, veremos um massacre
eleitoral. A diversão, então, será ver qual a desculpa que o PT vai inventar.
Eleição sem Lula não é fraude. É
misericórdia.