domingo, 19 de novembro de 2017

HOJE

Hoje, acordei cedo, às seis, e fiz um pão caseiro mergulhada em um silêncio, que acabei por estranhar. Na verdade, as manhãs têm sido ao som de helicópteros sobrevoando o espaço aéreo do meu bairro e do meu cérebro. A sonoridade da violência, sua presença que inclui tiros a qualquer hora do dia, e sim, inclusive de manhã, deixando-nos alertas por onde quer que circulemos, de ônibus, carro, a pé. E apesar da mínima tranquilidade ter sido sequestrada, aceita-se este estado de coisas, porque algo se deu. A aceitação do absurdo é uma decorrência do que uns chamam de indiferença, outros de insensibilidade.  E por quê nos tornamos insensíveis ou indiferentes? Apáticos e apartados?

Podemos retroagir à formação de um povo colonizado sob estas e aquelas características, aos nossos ciclos produtivos monocultores, à extensa escravidão, a grupos políticos predatórios, às exclusividades. Mas não explicar, justificar ou o que seja, eternamente porque somos assim, tão pobres e ao mesmo tempo brilhantes, sendo “dor e delícia”, porque somos originais, frutos de uma mistura aceita e celebrada. Quando desceremos deste barco encantado, modulado por águas traiçoeiras? Talvez uma interrupção nesta narrativa seja produtiva, ao menos interessante.

Paremos de nos defender de uma observação mais incisiva e atenta. Nem o riso, nem o choro. Paremos, simplesmente. De início, para que se possa perceber o que nos ocorre. Quem sabe daí, venha um fiapo de alternativa ao que se apresenta? Não, sem pressa alguma de formular um método, criar um projeto. Interrompendo um fluxo que não nos revela ou parece não nos revelar, pode acontecer a novidade. Pode ser muito pouco, mas o suficiente para modificar uma parte do cenário.

Não vote nas próximas eleições.
Interrompa o tal fluxo.
Surpreenda, a si também.
Não saia de casa para votar.
Não tema o dia seguinte às eleições, estarão todos lá, inclusive você, afinal você apenas parou.

Algo pode voltar a acontecer.



Isabella Reinert Thomé

12.11.2017

sábado, 18 de novembro de 2017

O PALHACINHO FIÚZA

      O palhacinho Fiúza escreveu mais um artigo na sua trincheira, o jornal O Globo, em 18 de novembro de 2017.

     O palhacinho Fiúza é mesmo muito engraçado. Acredita em indicadores econômicos, na reforma da Previdência e no previdente (sic) Fora Temer. Tem raiva de Janot e Dallagnol porque denunciaram seu ídolo do Planalto. Sem dúvida, vai lamber sapatos para ser o primeiro cabo eleitoral de Pinóquio Meirelles em 2018. E deve ter chorado quando Psiu!ani foi preso, mesmo que só por 20 horas.


     O palhacinho Fiúza não está preocupado com corrupção. Está preocupado só com o PT. Corrupção do PMDB pode. Corrupção do PSDB pode. Só corrupção do PT que não pode.

     Há algum tempo atrás, quando o segundo de Lula, Sérgio Cabral, ainda estava roubando o Estado do Rio lá do Palácio Laranjeiras (hoje ele continua roubando, mas de Benfica, graças a Gilmar Mendes), uma trupe montou acampamento na porta do apê do bandido. O palhacinho Fiúza reclamou em outro artigo na sua trincheira, o jornal O Globo. Pensei que ele estava só querendo fazer do Leblon seu picadeiro particular. Tolice. O otário é PMDB mesmo. Será que levou um bolo com velhinhas para comemorar o primeiro ano de prisão do seu amigo?