O APONTADOR AFIRMA:
A culpa é do Ulysses:
O Brasil precisa urgentemente de uma nova
Constituinte que corrija os seriíssimos erros da Constituição de 88. Ulysses
Guimarães e seus correligionários, sob a alegação de evitar autoritarismos como
aqueles praticados pelo golpe militar (o fechamento do Congresso,
principalmente), blindaram os poderes da república com uma série de medidas,
cláusulas e leis que os tornam praticamente inatingíveis. Foro privilegiado,
prisão só em flagrante, autorização de assembléias para processar o chefe do
poder executivo, interdição de processos por atos anteriores ao mandato, são
apenas algumas das medidas que permitem que presidentes, parlamentares,
governadores e juízes deitem e rolem no queijo e na goiabada. Que ninguém se
engane, no entanto, ao pensar que Ulysses fazia tal coisa para “proteger a
democracia”. De boas intenções o inferno está de saco cheio. Ulysses era PMDB.
Sabia bem o que estava fazendo.
O exemplo do Estado:
Quando se analisa a violência no Rio de
Janeiro, fala-se em ausência do Estado. Bobagem. O que temos de fato é o
verdadeiro EXEMPLO do Estado, já que o Estado brasileiro, e o fluminense em
especial, primam pelo banditismo. O Estado brasileiro, em suas três esferas
(Municipal, Estadual e Federal) prima pela prática de crimes que agora começam
a ser lentamente desvendados, e ainda mais e muito lentamente, punidos. O
Estado brasileiro estimula e acoberta o crime. O Estado do Rio de Janeiro faz
muito mais: ensina. A partir dos seus Três Poderes.
Burrice militar:
À merda com todos os que defendem
intervenção militar no Brasil. Qualquer inteligência superior à de um caracol
sabe que o governo militar foi pior que o do PT. Além de ter inaugurado a
grande corrupção moderna (não foi pouco o que militares e empresários roubaram,
Delfim Netto e Paulo Maluf que o digam), os governos militares censuraram, perseguiram,
torturaram, mataram. E todos saíram limpinhos da fita, sem leniência e sem
delação premiada. Não há um único militar que tenha sido punido por seus
crimes, que beiram o genocídio. Felizmente, as gerações se renovam, e as
forças armadas também. Não há poeira de intervenção no ar.
É tudo uma herança só:
Não se enganem avestruzes: Sarney, Collor
(vou deixar o Itamar de fora), Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer, todos
estes, eu disse TODOS, não são mais do que herança do governo militar. Nunca
tivemos mudança ideológica ou pragmática, em nossos três poderes. Nem
econômica. A política continua igual, de 64 pra cá: os três poderes, junto com
o sistema bancário e os mega-empresários, roubam; a população trabalha para
sustentá-los; sindicatos e terceiro setor fazem a ponte, balançando a bundinha
indignados e levando sua parte para fazer jogo de cena.
Isso é o Brasil, há43 anos. É simples
assim.