por Fernando Lomardo
Em 22 de março de 2019, Nelson Motta
publicou em sua coluna, no jornal O Globo, um texto pateticamente intitulado “O
Supremo do Vovô”. Não há nada demais que alguém queira elogiar um parente.
Causa mais estranheza que um jornal de grande circulação desperdice espaço com
uma rasgação de seda do netinho. Mas isso também está de acordo com a
frivolidade geral de nossa imprensa.
O mais surpreendente, porém, é que
Nelsinho esqueceu alguns aspectos importantes ao elogiar não só Vovô, mas
também os amigos do Vovô. Esqueceu que, além do “notável saber jurídico e
reputação ilibada” (sic), além da ausência de “brigas em plenário e de egos em
ebulição” (sic), aquele era um Supremo que jamais condenou um acusado rico ou
poderoso. Um Supremo que jamais olhou para crimes de colarinho branco. Em bom
português, era o Supremo da ditadura militar.
E Nelsinho também esqueceu,
estrategicamente, que Evandro Lins e Silva foi o defensor de Doca Street, o
assassino de Ângela Diniz. O dublê de advogado e ministro precisou não tanto de
saber jurídico, mas principalmente de sua rede de influências para ressuscitar
a odiosa figura da “legítima defesa da honra”, segundo a qual qualquer homem
pode matar qualquer mulher desde que tenha grana para pagar advogados de
reputação ilibada.
Isso sim é um dream team.