sábado, 29 de abril de 2017

O QUÊ FALTA ?



Estamos todos em situação precária. Podemos estar desempregados, sub-empregados, prestes a ser demitidos, assalariados que não recebem por serem servidores públicos, e mais uma infinidade de variações de situações trabalhistas.
Há muito não se vivia de forma tão insegura e pessimista. E mesmo não sendo prerrogativa deste ou daquele grupo, a grande maioria sente os efeitos da combinação de corrupção, gestões incompetentes e absoluta indiferença pela população.
Como se colocar diante de um quadro totalmente desolador? Pode-se fazer algo? A nossa ação corresponde a uma reação?
Há muito deixamos de questionar, quando muito nos manifestamos contra ou a favor de determinado ponto, mas esquecemos da atenção e do foco em relação a uma questão, preferindo a telegráfica comunicação, ajudados pela rapidez e síntese da internet. Não há tempo, às vezes, nem interesse. Não acreditamos mais na cirúrgica intervenção da palavra. Preferimos sínteses, resenhas, frases de efeito. Talvez nem isso, devemos estar a tal ponto anestesiados, que vivemos nossos pequenos problemas e alegrias, sem expressar ânimos ou humores.

Estamos exatamente no momento de votação de duas reformas que impactarão nossas vidas, e inegavelmente, falaremos disso em algum momento. Eis uma afirmação não usual relacionada à Reforma da Previdência:

Responsável por apresentar dados oficiais do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), a auditora-fiscal da Receita Federal Clemilce de Carvalho denunciou o superávit nas contas da Previdência Social. Segundo ela, os governantes faltam com a verdade quando afirmam déficit no valor total arrecadado anualmente. "A previdência nunca foi deficitária, não é um problema para o Brasil, mas sim solução. A receita da seguridade social sustenta programas do Governo Federal e o Tesouro Nacional. Enquanto não houver um programa de governo onde o homem seja o centro da atenção vamos continuar vivendo este mesmo cenário", frisou.


Se desejar, poderá recorrer à Constituição em seus artigos 194 e 195, onde encontrará informações sobre os cálculos reais, o que pode sair e o que jamais poderia sair dos recursos gerados pela Previdência Social, apesar da prática ser continuada e a irregularidade e mentira sobreviverem na mídia, e na quase totalidade de discursos.

O que interessa aqui é chamar a atenção, a nossa atenção, para os estragos tamanhos que a inação pode provocar.
O que está sendo gerado em Brasília, através de parlamentares e governo, são negociatas regadas a benefícios próprios, que nos atingirão em cheio sem demora. A minoria ínfima que discorda do andamento dado, também não esclarece os pontos fundamentais presentes na enganação que é o déficit da Previdência, quando tem um microfone a sua frente. Na ilha do Congresso Nacional, como nos espações cotidianos que ocupamos, não há discussão baseada em dados técnicos, menos ainda uma versão diferenciada do mantra da necessidade urgente de reformas.

A transparência das contas públicas é vital, evidentemente, mas dada a urgência que vivemos, a interrupção do processo de votação desta reforma, concomitantemente, ao acesso a dados técnicos e isentos é fundamental. Não dá mais tempo? Dá, sim.

domingo, 23 de abril de 2017

O QUE A IMPRENSA LUCRA COM A REFORMA DA PREVIDÊNCIA?

por Fernando Lomardo, O Apontador

     No bojo das investigações sobre corrupção conduzidas pela Operação Lava-Jato, encontra-se o comércio de projetos de lei. Empresários e parlamentares, com o apoio e supervisão do Executivo e a renitente leviandade do Judiciário, aprovam leis que beneficiam o empresariado em isenções fiscais, financiamentos públicos, perdão de dívidas, etc. Como contrapartida, gordas gorjetas para deputados, senadores, ministros e presidentes.

     Esse comércio parece muito claro no jogo sujo da reforma da Previdência, uma vez que não há a mais frágil evidência do suposto colapso do sistema, nada além de vagas estimativas sobre aumento da expectativa de vida e a obliterada mania de imitar a França, como se estivéssemos na Belle Époque.

     Quem conhece o assunto sabe que o sistema é auto-suficiente. Seu alegado rombo vem do desvio de seus recursos para outras áreas da administração. No entanto, empresários e políticos certamente lucrarão com a extinção dos direitos previdenciários, no mesmo tipo de prostituição que a Lava-Jato investiga.

     Entre estes grandes empresários, estão certamente os grandes órgãos de imprensa. Torna-se cada vez mais clara a existência de uma orientação dos controladores destes órgãos para que seus jornalistas e comentaristas insistam na tese fantasmal do colapso da Previdência. A forma acrítica como jornalistas repetem a palração de Temer, Meirelles e cia demonstra que não há nesse campo nenhuma análise ou matemática, mas apenas obediência cega a ditames superiores.

     Resta então saber qual é o comércio que vem sendo negociado desta vez.

     O que será que grandes grupos como Globo, Bandeirantes, Estadão, Folha, para citar apenas alguns, estarão ganhando junto com os investigados?

quinta-feira, 6 de abril de 2017

ONDE ESTÃO OS NÚMEROS DA PREVIDÊNCIA?



por Fernando Lomardo
O APONTADOR

     Pelo histórico dos recentes governos brasileiros, tanto na esfera estadual quanto na federal, não há um único milímetro de credibilidade nas informações apresentadas por governadores, ministros e presidente (com o eco de papagaio da imprensa), ao afirmarem que a Previdência está em “rombo”. Acreditaríamos se admitissem que a Previdência está em ROUBO, que é o que governo e empresários brasileiros sempre fizeram com a Previdência, desde o tempo em que Nagi Nahas era notícia nova.

     Onde estão os números da Previdência? Faz tempo que políticos, economistas e, pasmem, jornalistas “especialistas”, como Miriam Leitão, Merval Pereira, Ricardo Amorim e outros, afirmam e reafirmam que a Previdência é o vilão do país. Mas até agora ninguém mostrou números cabais. No sentido inverso, verdadeiras especialistas como Melissa Fohlman, Maria Lúcia Fatorelli, Vanessa Vidutto e Denise Gentil, entre outras, já afirmaram que a Previdência é superavitária. O problema é o desvio de recurso da Previdência para outras áreas, na eterna promiscuidade do governo com o dinheiro público.

     Ninguém discute isenção fiscal e perdão de dívidas. O senado acabou de votar o perdão da dívida de mais de 20 bilhões das teleoperadoras. Mas o contribuinte tem que se ferrar para sustentar o bando de vagabundos que impera nos três poderes da republiqueta dos bananas.

     Pois bem, onde estão os números que comprovam o déficit? Por quê nunca foi feita uma auditoria nas contas da Previdência? Qualquer boquirroto pode falar que um colapso vem por aí. Ninguém apresenta dados, números, provas. Onde estão os números da Previdência, Merval Pereira? Onde estão os números da Previdência, Miriam Leitão? Cadê os números, Michel Temer? Mostre os números, Paulo Guedes. Apresente provas, Jair Bolsonaro. Proponha uma discussão de verdade, Renata Loprete.

     Milhões de brasileiros contribuem a vida inteira para chegar à velhice e ver seu esforço ser tragado pelo governo, enquanto um político se aposenta com oito anos, graças ao fisiologismo e mau-caratismo da classe. Onde estão os números da Previdência? Políticos e “especialistas” da classe jornalística se unem para lesar o cidadão.

     Abaixo, links de matérias e sites que comprovam a farsa:


quarta-feira, 5 de abril de 2017

REGRA TRÊS PARA GILMAR MENDES





     O Brasil é uma piada. E eles acham que a gente não percebe. A gente não consegue é fazer nada, porque tá tudo dominado, entre os três poderes.

     Além do absurdo de o TSE ser composto por juízes que também são do STF, o que é contraproducente (pelo excesso) como suspeito (pela onipresença), agora Gilmar Mendes vai passear na Europa, no meio do julgamento da chapa 2014. Quando a eleição brasileira está em jogo, o dublê de ministro e superstar vai acompanhar a eleição francesa, como se ele tivesse algo com isso. Claro que o objetivo é atrasar o julgamento de seu amiguinho Temer.

     O país do futebol devia aprender alguma coisa com o futebol. Quando Neymar não pode jogar, é substituído. Ponto. Tribunais também deveriam ter uma regra três que impedissem espertezas como a de Gilmar Mendes. Se ele quer beber vinho francês in loco, voilá. Bota o reserva no lugar dele e o julgamento segue. Coisa semelhante, inclusive, aconteceu agora no TCE do Rio, mesmo tendo que se alterar o regimento. Só não vê quem não quer.

     E o Hermann Benjamin afinando para o Gilmarzão, hem? Foi só o Shrek falar grosso e o relator meteu o galho dentro. O Brasil é uma piada.


     E a defesa do Temer fingindo que não gostou do adiamento, hem? O Brasil é duas piadas.