por Fernando Lomardo, O Apontador
No bojo das investigações sobre corrupção conduzidas
pela Operação Lava-Jato, encontra-se o comércio de projetos de lei. Empresários
e parlamentares, com o apoio e supervisão do Executivo e a renitente leviandade
do Judiciário, aprovam leis que beneficiam o empresariado em isenções fiscais,
financiamentos públicos, perdão de dívidas, etc. Como contrapartida, gordas
gorjetas para deputados, senadores, ministros e presidentes.
Esse comércio parece muito claro no jogo
sujo da reforma da Previdência, uma vez que não há a mais frágil evidência do
suposto colapso do sistema, nada além de vagas estimativas sobre aumento da
expectativa de vida e a obliterada mania de imitar a França, como se
estivéssemos na Belle Époque.
Quem conhece o assunto sabe que o sistema
é auto-suficiente. Seu alegado rombo vem do desvio de seus recursos para outras
áreas da administração. No entanto, empresários e políticos certamente lucrarão
com a extinção dos direitos previdenciários, no mesmo tipo de prostituição que
a Lava-Jato investiga.
Entre estes grandes empresários, estão
certamente os grandes órgãos de imprensa. Torna-se cada vez mais clara a
existência de uma orientação dos controladores destes órgãos para que seus jornalistas
e comentaristas insistam na tese fantasmal do colapso da Previdência. A forma
acrítica como jornalistas repetem a palração de Temer, Meirelles e cia
demonstra que não há nesse campo nenhuma análise ou matemática, mas apenas
obediência cega a ditames superiores.
Resta então saber qual é o comércio que
vem sendo negociado desta vez.
O que será que grandes grupos como Globo,
Bandeirantes, Estadão, Folha, para citar apenas alguns, estarão ganhando junto
com os investigados?
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