domingo, 23 de abril de 2017

O QUE A IMPRENSA LUCRA COM A REFORMA DA PREVIDÊNCIA?

por Fernando Lomardo, O Apontador

     No bojo das investigações sobre corrupção conduzidas pela Operação Lava-Jato, encontra-se o comércio de projetos de lei. Empresários e parlamentares, com o apoio e supervisão do Executivo e a renitente leviandade do Judiciário, aprovam leis que beneficiam o empresariado em isenções fiscais, financiamentos públicos, perdão de dívidas, etc. Como contrapartida, gordas gorjetas para deputados, senadores, ministros e presidentes.

     Esse comércio parece muito claro no jogo sujo da reforma da Previdência, uma vez que não há a mais frágil evidência do suposto colapso do sistema, nada além de vagas estimativas sobre aumento da expectativa de vida e a obliterada mania de imitar a França, como se estivéssemos na Belle Époque.

     Quem conhece o assunto sabe que o sistema é auto-suficiente. Seu alegado rombo vem do desvio de seus recursos para outras áreas da administração. No entanto, empresários e políticos certamente lucrarão com a extinção dos direitos previdenciários, no mesmo tipo de prostituição que a Lava-Jato investiga.

     Entre estes grandes empresários, estão certamente os grandes órgãos de imprensa. Torna-se cada vez mais clara a existência de uma orientação dos controladores destes órgãos para que seus jornalistas e comentaristas insistam na tese fantasmal do colapso da Previdência. A forma acrítica como jornalistas repetem a palração de Temer, Meirelles e cia demonstra que não há nesse campo nenhuma análise ou matemática, mas apenas obediência cega a ditames superiores.

     Resta então saber qual é o comércio que vem sendo negociado desta vez.

     O que será que grandes grupos como Globo, Bandeirantes, Estadão, Folha, para citar apenas alguns, estarão ganhando junto com os investigados?

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