por Fernando Lomardo
A CPI da Lava-Jato que circula entre as
quadrilhas do congresso nacional formaliza um aspecto que a famosa operação
policial já havia escancarado: a solidarieadade entre partidos de todas as
cores, quando se trata de combater a legalidade. Quando se trata de política
nacional, a união faz o crime.
Idealizada pelo PT e rapidamente encampada
por todos os outros ratos, desesperados para fugir da lei, a CPI pretende
encontrar meios para imobilizar a maior operação de combate à corrupção jamais
vista no Ocidente. Pois é matemático que a operação brasileira, em número de
investigados, indiciados, condenados, presos e também em volume de dinheiro
recuperado, já superou em muito a sua inspiradora, a italiana Mani Pulite.
Ameaçados pela eficácia e pela resiliência
da Polícia Federal e do Ministério Público, políticos se unem sem preconceito
de legenda e sem preocupação em disfarçar seu matiz ideológico. Isso torna
explícito o que já era sabido por todos: não há nenhuma ideologia em nenhuma
assembléia ou câmara de nenhuma das três esferas (município, estado e união).
Apenas as “bases” do facebook repetem tolices como esquerda ou direita,
socialismo e capitalismo, etc. Bobagem. Ideologia, na política brasileira, é
coisa tão de fachada quanto as empresas-fantasmas abertas apenas para lavar
dinheiro roubado.
O mesmo se dá no Supremo Teatro Federal.
Para ficar no exemplo mais óbvio: Dias Toffoli e Lewandowski, ligados ao PT, e
Gilmar Mendes, ligado ao PSDB, formam um trio de freiras que entoam um canto
uníssono de enfadonha previsibilidade. Não precisamos sequer acompanhar a
sessão para conhecer seu voto. Juntos formam a maior frente de defesa da
criminalidade, sem esquecer Marco Aurélio Melo, e isso não só nos casos de
corrupção: baste lembrar que Marco Aurélio soltou Bruno do Flamengo, notório
assassino e esquartejador da ex-namorada.
É sabido que CPIs no Brasil são apenas
cortina de fumaça. Quando algum escândalo envolve algum político com poder de
decisão, rapidamente seus pares inventam uma CPI para desviar a atenção de
público e imprensa. Nenhuma CPI, em nenhum momento da história, nunca concluiu
nada, condenou ninguém nem chegou a qualquer resultado. São tão inúteis quanto
o congresso que as engendra.
Mas neste caso, é possível que esta CPI
chegue a alguma coisa, pois tem o atributo de reunir todos os membros do
congresso nacional, solidariamente unidos para manter a roubalheira e a mamata
que sustentam seus mandatos imprestáveis.