quinta-feira, 21 de junho de 2018

IDEOLOGIA DE FACHADA

por Fernando Lomardo

     A CPI da Lava-Jato que circula entre as quadrilhas do congresso nacional formaliza um aspecto que a famosa operação policial já havia escancarado: a solidarieadade entre partidos de todas as cores, quando se trata de combater a legalidade. Quando se trata de política nacional, a união faz o crime.

     Idealizada pelo PT e rapidamente encampada por todos os outros ratos, desesperados para fugir da lei, a CPI pretende encontrar meios para imobilizar a maior operação de combate à corrupção jamais vista no Ocidente. Pois é matemático que a operação brasileira, em número de investigados, indiciados, condenados, presos e também em volume de dinheiro recuperado, já superou em muito a sua inspiradora, a italiana Mani Pulite.

     Ameaçados pela eficácia e pela resiliência da Polícia Federal e do Ministério Público, políticos se unem sem preconceito de legenda e sem preocupação em disfarçar seu matiz ideológico. Isso torna explícito o que já era sabido por todos: não há nenhuma ideologia em nenhuma assembléia ou câmara de nenhuma das três esferas (município, estado e união). Apenas as “bases” do facebook repetem tolices como esquerda ou direita, socialismo e capitalismo, etc. Bobagem. Ideologia, na política brasileira, é coisa tão de fachada quanto as empresas-fantasmas abertas apenas para lavar dinheiro roubado.

     O mesmo se dá no Supremo Teatro Federal. Para ficar no exemplo mais óbvio: Dias Toffoli e Lewandowski, ligados ao PT, e Gilmar Mendes, ligado ao PSDB, formam um trio de freiras que entoam um canto uníssono de enfadonha previsibilidade. Não precisamos sequer acompanhar a sessão para conhecer seu voto. Juntos formam a maior frente de defesa da criminalidade, sem esquecer Marco Aurélio Melo, e isso não só nos casos de corrupção: baste lembrar que Marco Aurélio soltou Bruno do Flamengo, notório assassino e esquartejador da ex-namorada.

     É sabido que CPIs no Brasil são apenas cortina de fumaça. Quando algum escândalo envolve algum político com poder de decisão, rapidamente seus pares inventam uma CPI para desviar a atenção de público e imprensa. Nenhuma CPI, em nenhum momento da história, nunca concluiu nada, condenou ninguém nem chegou a qualquer resultado. São tão inúteis quanto o congresso que as engendra.

     Mas neste caso, é possível que esta CPI chegue a alguma coisa, pois tem o atributo de reunir todos os membros do congresso nacional, solidariamente unidos para manter a roubalheira e a mamata que sustentam seus mandatos imprestáveis.