sábado, 9 de março de 2019

BOLSONARO E LULA, DUAS FACES DA MESMA MOEDA


por Fernando Lomardo
O Apontador

     O eleitor de Bolsonaro é muito semelhante ao eleitor de Lula. O governo Jair Bolsonaro é igual ao governo do PT.

     Completamente acrítico, o eleitor de Bolsonaro acredita que as medidas bombásticas, porém totalmente inócuas de seu ídolo (sim, porque trata-se de idolatria e não de posicionamento político) configuram algo parecido com o ato de governar. Na verdade, o governo Bolsonaro vai sendo tocado pelos grandes empresários, defendendo seus interesses através da conivência da Câmara, do Senado e do Poder Judiciário. Exatamente como nos governos do PT.

     Da mesma forma, esses governos se assemelham em sua tática de promover cortinas de fumaça a partir de fatos desimportantes para encobrir o que realmente importa: medidas e projetos de lei que gradativamente restringem o rendimento pecuniário do cidadão, ao mesmo tempo em que aumentam o do grande empresariado e o dos políticos e juízes em geral.

     Varia apenas a cor da fumacinha: os governos do PT usavam supostas políticas públicas e discursos inflados de “empoderamento” para esconder suas verdadeiras ações: a carta branca a todos os abusos do grande empresariado e a roubalheira desenfreada revelada pela Lava-Jato. O governo Bolsonaro usa sua moral-e-civismo de araque para esconder suas verdadeiras intenções: a carta branca a todos os abusos do grande empresariado e a continuidade das mamatas entre Executivo, Legislativo e Judiciário, em nome da perpetuação de privilégios e mordomias – às vezes de forma legal, às vezes ilegal, mas de qualquer modo, sempre imoral. Principalmente para um governo que se diz o dono da Moralidade. Preocupa-se com uma idiotice gay no carnaval. Mas não com depósitos bancários inexplicáveis do filhinho ou com um Ministro da Casa Civil confesso em Caixa 2.

     Sustentando tanto um quanto outro, uma torcida fanática (sim, porque trata-se de fanatismo e não de ideologia) e sem rigorosamente nenhum senso crítico, com diferenças, mais uma vez, apenas de tonalidade: uma se diz “de esquerda” (palavra, hoje, totalmente vazia de sentido), outra se diz “de direita” (palavra, hoje, totalmente vazia de sentido).

     Movendo essa roda, no estandarte, a efígie do “líder popular” tão tipicamente brasileiro: tanto Bolsonaro quanto Lula encarnam o “sélfi-mêidi-mêm” brasileiro, que veio “de baixo”, um pouco tosco, um tanto ignorante, com um brilhoso verniz aplicado pelo marketing, mas com a capacidade de falar “a linguagem do povo”, de forma “direta” e “sem rodeios”.

     A “linguagem” do mesmo “povo” que eles, lenta e inexoravelmente, extorquem e exploram com um largo sorriso de propaganda no rosto.