CHEGA DE PREGUIÇA
Certo jurista presente no Jornal da
Cultura, em 05 de janeiro de 2016, defendeu a suspeitíssima idéia da
“conciliação” como forma de diminuir as demandas no poder judiciário. Ives
Gandra, em artigo intitulado Chega de
demanda, publicado poucas semanas antes em O Globo, também. Grande número
de juristas reitera o conto de fadas da conciliação. Mas nenhum deles parece
capaz de garantir que a proposta da eterna conciliação não representará a
anulação dos direitos do cidadão, frente a uma sociedade com pouca ou nenhuma
regulação e com flagrante promiscuidade entre o poder público e as operadoras
de concessões e serviços. Só se fala em “reduzir a demanda”. O judiciário está
sobrecarregado. Pobre judiciário. Até parece que trabalha muito.
Listo abaixo algumas razões reais para o
emperramento do judiciário, no que diz respeito a demandas do setor civil e da
área de defesa do consumidor:
1 – Impunidade: as leis são fracas; as
agências reguladoras, coniventes com açoes dolosas de empresas e
concessionárias; os juízes, lenientes com atos ilegais e mesmo criminosos. Tudo
isso obriga o cidadão a recorrer quantas vezes a lei permita, num esforço
desesperado para garantir direitos basilares, diuturnamente desrespeitados.
2 – Falta de regulação – se as agências
trabalhassem e não fossem coniventes, haveria menos abuso por parte das
prestadoras e empresas.
3 – Preguiça: cartórios e tribunais só
abrem às 11 da manhã.
4 – Pouco material humano. Uma boa
alternativa seria reduzir drastivamente os salários astronômicos de juízes e
desembargadores para contratar mais pessoal.
Estas razões talvez não sejam as únicas,
mas creio que são as principais.
O brasileiro adora uma moleza. Nosso
judiciário não é diferente.
De 2017, ao sexto dia de março, pois era terça-feira.
De 2017, ao sexto dia de março, pois era terça-feira.

