por Fernando Lomardo
A Revista Época sempre gostou de apelar.
Quando era assumidamente tucana, fazia matérias de capa sobre o dossiê Cayman,
como se alguém estivesse interessado naquela bobagem.
Agora que se viu, diante da paranóia de
toda a mídia, na pretensa obrigação de apoiar o PT (que sempre levou porrada da
revista), escancara a hipocrisia com um suplemento (não mais que isso, pois não
dá nem para chamar de revista) “político-literário”, que não passa, na verdade,
de uma propaganda eleitoral de 100 páginas. Isso tem um nome: propaganda
enganosa.
Vamos deixar de lado, por enquanto, a questão
da subliteratura que infesta o panfleto. Não pode se dizer “político” um
suplemento que se mostra unilateral e fanático. O adjetivo correto é
“literário-petista”, pois nenhum dos textos (eu disse nenhum) analisa prós e contras dos dois candidatos. Só se lê o
endeusamento da suposta esquerda, a maior fraude política da história do
Brasil, e a demonização do adversário, com clichês de estarrecedora obviedade,
como “fascista”, “Hitler”, “torturador” e outros tão previsíveis quanto.
A falsidade ideológica, a desonestidade
intelectual, a impostura cínica escorrem dos artigos como baba de quiabo, a
começar pela introdução da página 41. Tratando a propaganda partidária como
“ficção”, o textículo tenta alguns truques enganosos para disfarçar que toda a
edição significa apenas uma coisa: “vote em Haddad, não vote em Bolsonaro, pelo
amor dos santos Lulas”!
A pretensa ficção que se segue, a cargo de
“alguns dos melhores nomes da literatura brasileira contemporânea” (sic) nos
faz chorar de pena da literatura brasileira contemporânea. Metáforas rasteiras,
alegorias primárias, versos livres de tocante indigência, nos fazem olhar para
o teto a cada página, constrangidos pelo descompromisso dos autores. Pode ser
que estes campeões da edição alternativa escrevam textos interessantes, quando
movidos por suas próprias inspirações. Tomara que sim. Mas como marqueteiros de
campanha disfarçados de cronistas políticos, só arrancam do leitor um sorriso
de compaixão.
Resta apenas uma dúvida: de quem terá sido
o ato falho que dá título ao panfleto. Estampadas na capa em pálido vermelho,
logo abaixo da data falsa (pois o folhetim já estava nas bancas na madrugada do
dia da eleição, 28 de outubro de 2018), letras garrafais informam ao leitor o
verdadeiro conteúdo: É TUDO MENTIRA.