domingo, 29 de setembro de 2019

OS PALHAÇOS DO CIRCO TRUMP


por Fernando Lomardo

     Em termos de freak show, nada se compara ao “governo” Jair Bolsonaro. Seu “ministério” é um desfile de horrores de fazer a Mulher Barbada comprar uma caixa de giletes na hora.

     Damares Alves fala em azul e rosa e abre uma concorrência para arrumar um marido. Ernesto Araújo não sabe o que é aquecimento global e faz piadinhas ignorantes sobre o risco ao planeta. Sérgio Moro revelou-se uma fraude institucional tão escandalosa quanto o desmonte da Previdência. Marco Ponte, corajoso para ir à Lua, é um covarde quando se trata de defender o que é caro à Ciência brasileira. Ricardo Lessa acha que o problema da Amazônia é que, sem queimadas, o ribeirinho não tem o que comer. E Abrão Intraube, o miniztro da educassao, mau sabi açinar o propo nômi.

     Pasmem, no entanto, que enquanto aqui só temos essa lamentável atração de bizarrices, os Estados Unidos usufruem de um muito bem montado circo. Mas isso não deve nos surpreender – afinal, lá é a terra do entertainment.

     A surpresa é que a grande atração desse espantoso circo são dois brasileiros: os impagáveis palhaços Jair e Eduardo Bolsonaro.

     Jair Bolsonaro não gosta de homossexuais. Pelo menos, é o que ele diz. Pra ele, a homoafetividade deve ser varrida da face da Terra. No entanto, esse rei da lambança, incapaz de manifestar afeição por quem quer que seja, é capaz de dizer “I love you” para um homem – desde que esse homem seja o presidente dos Estados Unidos. Não tenho dúvidas de que o capitão estaria disposto mesmo a mudar sua orientação sexual se fosse por ordem do cabelinho de milho. É ou não é um inesquecível número cômico?

     Mas nada supera, no universo da escrotidão, o número que presenciamos na semana passada, na cidade de New York, no prédio da ONU. Brincando de embaixador como uma menina que brinca de casinha, Eduardo Bolsonaro fez o gesto da “arminha” que tem notabilizado sua família de palhaços políticos. A questão é que ele fez isso em frente à escultura “Não violência”, do artista Carl Fredrik Reuterswärd, que mostra um revólver com um nó no cano. A obra é um convite ao desarmamento, e foi pensada como uma homenagem a John Lennon. Vou partir do princípio de que mesmo as jovens gerações não precisam que eu explique quem foi esse artista admirável, que teve sua vida interrompida de forma covarde e violenta aos 40 anos de idade.

     Donald Trump é um adepto da política do “balas para todos” – de preferência, bem no meio da testa. Certamente despreza John Lennon e deve considerá-lo um hippie maconheiro ou qualquer coisa parecida com isso. Mas sabe muito bem que as intituições americanas não são a Casa da Mãe Joana, como as brasileiras; jamais iria, portanto, praticar um gesto ofensivo em um monumento que homenageia um homem assassinado a tiros.

     Mas na verdade Trump não precisa fazer isso, pois tem quem faça por ele. Eduardo Bolsonaro, rematado palerma, configuração mais acabada de um completo imbecil, está sempre pronto a fazer uma micagem para agradar ao patrão alaranjado. E seu número tragicômico tende sempre a melhorar – depois da reação internacional ao seu peido fotográfico, o palhacinho que cagou fora do pinico tentou limpar tudo com as mãos: “E se John Lennon estivesse armado?”, arriscou o estrupício, fingindo ignorar que o músico não teve nenhuma chance: o assassino, covarde como todo assassino, pediu um autógrafo e atirou à queima-roupa, logo depois que Lennon devolveu-lhe a caneta e o papel assinado.

     Tristes somos nós, que elegemos uma cambada de patifes capaz de fazer o PT e o PSDB parecerem um bando de amadores. Feliz é Donald Trump, que tem a seu serviço dois bobos da corte capazes de amá-lo acima de tudo e de lamber o chão pisado pelo boneco de cera do Queens. A Terra é plana, o Pai é americano, o Filho anda armado e o Espírito Santo tem calibre 38.