por Fernando Lomardo
Em termos de freak show, nada se compara
ao “governo” Jair Bolsonaro. Seu “ministério” é um desfile de horrores de fazer
a Mulher Barbada comprar uma caixa de giletes na hora.
Damares Alves fala em azul e rosa e abre
uma concorrência para arrumar um marido. Ernesto Araújo não sabe o que é
aquecimento global e faz piadinhas ignorantes sobre o risco ao planeta. Sérgio
Moro revelou-se uma fraude institucional tão escandalosa quanto o desmonte da
Previdência. Marco Ponte, corajoso para ir à Lua, é um covarde quando se trata
de defender o que é caro à Ciência brasileira. Ricardo Lessa acha que o
problema da Amazônia é que, sem queimadas, o ribeirinho não tem o que comer. E Abrão
Intraube, o miniztro da educassao, mau sabi açinar o propo nômi.
Pasmem, no entanto, que enquanto aqui só
temos essa lamentável atração de bizarrices, os Estados Unidos usufruem de um
muito bem montado circo. Mas isso não deve nos surpreender – afinal, lá é a
terra do entertainment.
A surpresa é que a grande atração desse
espantoso circo são dois brasileiros: os impagáveis palhaços Jair e Eduardo
Bolsonaro.
Jair Bolsonaro não gosta de homossexuais.
Pelo menos, é o que ele diz. Pra ele, a homoafetividade deve ser varrida da
face da Terra. No entanto, esse rei da lambança, incapaz de manifestar
afeição por quem quer que seja, é capaz de dizer “I love you” para um homem –
desde que esse homem seja o presidente dos Estados Unidos. Não tenho dúvidas de
que o capitão estaria disposto mesmo a mudar sua orientação sexual se fosse por
ordem do cabelinho de milho. É ou não é um inesquecível número cômico?
Mas nada supera, no universo da
escrotidão, o número que presenciamos na semana passada, na cidade de New York,
no prédio da ONU. Brincando de embaixador como uma menina que brinca de casinha,
Eduardo Bolsonaro fez o gesto da “arminha” que tem notabilizado sua família de
palhaços políticos. A questão é que ele fez isso em frente à escultura “Não
violência”, do artista Carl Fredrik Reuterswärd, que mostra um revólver com um nó
no cano. A obra é um convite ao desarmamento, e foi pensada como uma homenagem
a John Lennon. Vou partir do princípio de que mesmo as jovens gerações não
precisam que eu explique quem foi esse artista admirável, que teve sua vida
interrompida de forma covarde e violenta aos 40 anos de idade.
Donald Trump é um adepto da política do
“balas para todos” – de preferência, bem no meio da testa. Certamente despreza
John Lennon e deve considerá-lo um hippie maconheiro ou qualquer coisa parecida
com isso. Mas sabe muito bem que as intituições americanas não são a Casa da
Mãe Joana, como as brasileiras; jamais iria, portanto, praticar um gesto
ofensivo em um monumento que homenageia um homem assassinado a tiros.
Mas na verdade Trump não precisa fazer
isso, pois tem quem faça por ele. Eduardo Bolsonaro, rematado palerma, configuração
mais acabada de um completo imbecil, está sempre pronto a fazer uma micagem
para agradar ao patrão alaranjado. E seu número tragicômico tende sempre a
melhorar – depois da reação internacional ao seu peido fotográfico, o palhacinho
que cagou fora do pinico tentou limpar tudo com as mãos: “E se John Lennon
estivesse armado?”, arriscou o estrupício, fingindo ignorar que o músico não
teve nenhuma chance: o assassino, covarde como todo assassino, pediu um
autógrafo e atirou à queima-roupa, logo depois que Lennon devolveu-lhe a caneta
e o papel assinado.
Tristes somos nós, que elegemos uma
cambada de patifes capaz de fazer o PT e o PSDB parecerem um bando de amadores.
Feliz é Donald Trump, que tem a seu serviço dois bobos da corte capazes de
amá-lo acima de tudo e de lamber o chão pisado pelo boneco de cera do Queens. A
Terra é plana, o Pai é americano, o Filho anda armado e o Espírito Santo tem
calibre 38.