As duas matérias abaixo se completam: a
primeira é de 30 anos atrás (1987). A segunda, de 1995, tem 22 anos.
Na primeira matéria, a acreditarmos nas
palavras do especialista consultado pelo jornal, o Rio de Janeiro convive com
um grau insuportável de violência há, no mínimo, 30 anos.
A segunda informa que “forças especiais”
chegarão ao Rio de Janeiro para combater a violência e o crime organizado.
Ou seja, há pelo menos 22 anos o Rio de
Janeiro recorre a algum tipo extraordinário de força militar para solucionar o que parece
insolucionável: o domínio da criminalidade sobre o cotidiano do cidadão.
Isso diz muita coisa não apenas sobre o
Rio de Janeiro, mas sobre o Brasil. Diz muito sobre nossas autoridades. Mostra
o quanto a inoperância das três esferas de governo (municipal, estadual e
federal) colabora com a manutenção dos índices de criminalidade. Vendo os
mesmíssimos tipos de medida se repetirem ao longo de três décadas, resta uma
única conclusão possível: essa inoperância é intencional.
A prisão de gente como Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Eduardo Cunha, Jorge Picciani, Jacob Barata Filho e outros, não pode ser mais eloquente: nossos poderes executivo e
legislativo são controlados pelo banditismo, que controla também vastas áreas do grande empresariado. Precisamos começar a estender as investigações para o Judiciário, para entender porque essa gente ficou tanto tempo solta.


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