por Fernando Lomardo
A gente adora ser colônia. A gente adora
ser ezótico (assim, com “z”, pra ficar mais exótico). O Globo adora ser um
jornalzinho do Brasil Colônia. Basta um estrangeiro deslumbrado (mas travestido
de descolado) apontar para a banqueta onde um Dêividi qualquer tomou açaí (pode
ser o Byrne, pode ser o Bowie, pode ser o Lynch) que o jornal dá página inteira
para a grande revelação.
A babação da vez é para o guia alemão de
uma jornalista alemã falando sobre o Rio. Voltado para o turista alemão que
viria para as Olimpíadas, o guia lista 111 locais “para quem quer conhecer a
história por trás da história” (sic).
Ficamos sabendo então que condomínios fechados na Barra ou dinossauros de concreto
em um parquinho infantil são atrações “por trás da história”. Durma-se.
Entre os homenageados, a igreja evangélica
mais suspeita do mundo e o ladrão autor de um dos maiores assaltos do mundo. Só
faltou estender a elegia a quem roubou a cruz de ouro da Providência, mas isso
pode ser arriscado, pois não se pode dizer que existe ladrão na favela. É
contra o pensamento hegemônico vigente.
O roteiro é tão hilário que apresenta uma
colônia de pescadores onde o produto exemplar é de outro estado. Não foi
pescado ali. Não seria então mais coerente fotografar a ostra e esquecer o
barquinho? Mas isso não seria pitoresco.
Das 111 atrações listadas pela autora
Beate Kirchner, a matéria cita apenas 20, se considerarmos todo o percurso do
último parágrafo. Talvez entre as 91 restantes exista algo que vale a pena. Mas
a seleção convocada pelo O Globo parece aquela que tomou de 7 a 1.
Curiosamente, de uma seleção alemã.
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